Cada condição da pele tem uma profundidade — e é ela que decide o tratamento

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Rugas ao redor da boca

Rugas ao redor da boca: marionete, código de barras e acordeon — o guia completo

Por Fabiano Carvalho
Atualizado em 08 de agosto de 2026 · 9 min de leitura

Rugas ao redor da boca

Você repara, num dia comum, em três coisas diferentes ao redor da boca ao mesmo tempo: um sulco que desce dos cantos da boca até o queixo, riscos finos e verticais logo acima do lábio superior, parecidos com um código de barras, e um leque de linhas que só aparece quando você sorri largo. São três rugas com nome, mecanismo e tratamento diferentes, mesmo dividindo a mesma região do rosto. Este guia separa as três — linhas de marionete, rugas em código de barras e rugas de acordeon — e explica por que cada uma aparece e o que de fato ajuda a suavizar, sem prometer que somem, porque essa promessa não é honesta.

Por que a região ao redor da boca ruga primeiro

A boca é a parte do rosto que mais se move: falar, mastigar, sorrir, beijar, assobiar, franzir — são milhares de contrações por dia, todos os dias, a vida inteira. Some a isso um detalhe estrutural que poucos sabem: a pele ao redor dos lábios é mais fina do que a da maioria do rosto e tem poucas glândulas sebáceas, o que significa menos oleosidade natural e menos resistência ao dobramento repetido. O músculo orbicular dos lábios, que circula a boca inteira, está colado direto na pele por cima dele, quase sem a camada de gordura que amortece esse movimento em outras áreas do rosto.

É essa combinação — muito movimento, pele fina, pouco amortecimento — que faz da boca uma das primeiras regiões do rosto a marcar linha visível, às vezes antes mesmo da testa ou dos olhos.

Mas “ruga perto da boca” não é diagnóstico nenhum — é só o endereço. As três linhas deste guia moram na mesma vizinhança e às vezes até coexistem no mesmo rosto, mas nascem de mecanismos diferentes: uma é sobretudo perda de estrutura, outra é movimento repetido agravado por um hábito específico, a terceira é movimento do sorriso que ainda não virou marca fixa. Saber qual é qual muda o que vale a pena tentar primeiro.

O que o cosmético resolve — e o que cada ruga pede de diferente

O que ele faz. Protetor solar e retinoide em introdução gradual melhoram a textura da pele fina ao redor da boca e ajudam a sustentar as três rugas descritas neste guia, retardando o avanço.

O que ele não faz. Não devolve volume perdido na linha de marionete, não interrompe a contração muscular por trás do código de barras e do acordeon, e não substitui parar de fumar quando esse é o gatilho principal.

O que define qual tratamento faz sentido é o mecanismo por trás de cada ruga, não a posição que ela ocupa no rosto — perda de estrutura pede preenchimento, movimento repetido pede toxina botulínica, e confundir os dois é gastar tempo no procedimento errado.

Quem não deve escolher o tratamento sozinho. Quem fuma e tem código de barras (parar de fumar muda o resultado de qualquer procedimento) e qualquer pessoa considerando toxina botulínica perto da boca — a dose exige avaliação individual, porque excesso ali tem consequência funcional na fala e no sorriso, não só estética.

Linhas de marionete

São os sulcos que descem dos cantos da boca até o queixo, lembrando as juntas articuladas de um boneco de madeira — daí o nome. Diferente das outras duas rugas deste guia, a linha de marionete depende menos de movimento muscular repetido e mais de um processo estrutural: a perda progressiva de gordura e colágeno ao longo da mandíbula, que deixa de sustentar a pele esticada naquela região.

Com o volume perdido, a pele ao redor da boca cede para baixo por efeito da gravidade, e o sulco que separa a bochecha do queixo fica mais fundo e mais permanente — diferente da ruga de acordeon, que aparece e some com o sorriso. É também uma das rugas que mais pesa na leitura que os outros fazem do seu rosto: por puxar o contorno da boca para baixo, contribui diretamente para a impressão de cansaço ou tristeza, mesmo quando a pessoa não está sentindo nenhum dos dois.

Por ser majoritariamente perda de estrutura, e não movimento, ela responde melhor a abordagens que devolvem volume — preenchimento, por exemplo — do que a procedimentos que relaxam músculo.

Rugas em código de barras

São as linhas verticais, finas e paralelas, que aparecem logo acima do lábio superior — o apelido vem da semelhança visual com o código de barras de uma embalagem. Tecnicamente são chamadas de rugas periorais ou rugas de fumante, e essa segunda alcunha não é acaso: embora qualquer pessoa possa desenvolvê-las, elas são especialmente comuns e especialmente profundas em quem fuma.

O mecanismo tem duas partes que se somam. A primeira é puramente mecânica: franzir os lábios — para tragar um cigarro, beber com canudinho, assobiar — dobra a pele fina dessa região sempre na mesma direção, milhares de vezes ao longo dos anos, até a marca ficar fixa. A segunda é química: as substâncias da fumaça do cigarro degradam colágeno e elastina diretamente, e a nicotina contrai os vasos sanguíneos da pele, reduzindo o oxigênio e os nutrientes que chegam até ali. Um fumante de longa data tende a ter rugas em código de barras visivelmente mais profundas do que um não fumante da mesma idade — não por coincidência, mas porque os dois mecanismos estão atuando juntos, todos os dias.

Quem não fuma também pode ter essas linhas, por hábitos que envolvem o mesmo franzir repetido: tocar instrumento de sopro, chupar canudinho com frequência, ou simplesmente ter a expressão de franzir os lábios mais acentuada.

Rugas de acordeon

São as linhas finas que se abrem em leque ao redor da boca quando você sorri largo — o nome vem da semelhança com o fole de um acordeon se abrindo e fechando. Nascem da contração dos músculos que puxam o canto da boca para cima e para os lados durante o sorriso, os mesmos que fazem o trabalho pesado de uma das expressões mais repetidas do rosto.

No início, a ruga de acordeon é inteiramente dinâmica: aparece só durante o sorriso e some por completo assim que o rosto relaxa, sem deixar marca nenhuma em repouso. É frequentemente confundida com o sulco nasogeniano — a linha que vai do nariz ao canto da boca — mas o padrão é diferente: a ruga de acordeon é mais lateral, em leque, concentrada perto da comissura labial, e some quando o rosto está parado, pelo menos nos estágios iniciais. Com os anos e a perda de colágeno da região, uma parte dessas linhas pode deixar de sumir por completo, passando a ficar levemente visível mesmo sem o sorriso.

O que ajuda a suavizar cada tipo

Como o mecanismo por trás de cada ruga é diferente, o que funciona também muda:

Tipo Mecanismo principal O que costuma ajudar mais
Linhas de marionete Perda de volume e sustentação ao longo da mandíbula Preenchimento com ácido hialurônico, firmadores de pele
Rugas em código de barras Movimento repetido de franzir os lábios, agravado por fumo Parar de fumar, toxina botulínica em doses pequenas, ácido hialurônico, laser
Rugas de acordeon Contração dos músculos do sorriso Toxina botulínica conservadora na região, hidratantes e ácido hialurônico tópico

Protetor solar continua sendo a base comum às três, mesmo quando o mecanismo principal não é o sol: a radiação ultravioleta degrada colágeno e elastina em qualquer parte do rosto, e uma pele já mais fina — como a da região perioral — sente esse efeito mais rápido do que áreas mais espessas.

Retinoides (retinol, tretinoína) ajudam a estimular renovação e colágeno na área ao redor da boca, mas pedem introdução gradual: é uma das regiões do rosto mais propensas a irritar com ativo forte demais, justamente por ter a pele mais fina.

Toxina botulínica funciona bem em código de barras e em acordeon, porque as duas dependem de movimento muscular repetido — mas a dose precisa ser pequena e a aplicação cuidadosa, porque músculo em excesso relaxado perto da boca pode atrapalhar a fala e o próprio sorriso. Não é a mesma lógica de uma região como a testa, onde a margem de segurança é maior.

Preenchimento com ácido hialurônico é a abordagem com mais efeito em linha de marionete, porque devolve o volume que a pele perdeu — relaxar músculo não resolve uma ruga que nasceu de estrutura, não de movimento.

Sérum e hidratante de venda livre entram como coadjuvantes nas três situações: ajudam a textura e a sensação de firmeza da pele ao redor da boca, somando à rotina de protetor solar, mas não substituem toxina, preenchimento ou parar de fumar quando esse é o gatilho principal.

Quando procurar um dermatologista

Vale marcar consulta quando a linha surgiu de forma muito rápida ou só de um lado do rosto (para descartar outra causa), quando meses de protetor solar e retinoide não mudaram a textura da pele, ou para decidir com segurança qual tipo de procedimento — toxina, preenchimento, laser — faz sentido para a sua combinação específica de rugas perto da boca. É também o profissional certo para calcular a dose de toxina nessa região, onde o excesso tem consequência funcional, não só estética.

Resumindo

As rugas ao redor da boca não são uma coisa só: linha de marionete nasce principalmente de perda de volume na mandíbula, ruga em código de barras vem do franzir repetido dos lábios e é agravada por fumo, e ruga de acordeon nasce da contração do sorriso. Cada uma responde melhor a um tipo de cuidado diferente — preenchimento, toxina botulínica ou parar de fumar, respectivamente —, mas protetor solar e retinoide seguem como base comum às três. Não existe produto que apague nenhuma delas por completo; existe suavização real, que se mantém enquanto o cuidado continua.

Perguntas frequentes

O que são linhas de marionete?

São os sulcos que descem dos cantos da boca até o queixo, lembrando as juntas de um boneco de madeira — daí o nome. Diferente das rugas de sorriso, elas nascem mais da perda de volume e sustentação ao longo da mandíbula do que do movimento muscular, e por isso tendem a se aprofundar com a idade mesmo em quem sorri pouco. É uma das rugas que mais contribui para a impressão de "rosto cansado" ou "rosto triste", porque puxa o contorno da boca para baixo.

Por que aparece ruga em código de barras acima do lábio?

Ela vem da contração repetida do músculo orbicular dos lábios — o mesmo que você usa para franzir a boca, assobiar, beber no canudinho ou tragar um cigarro. Cada contração dobra a pele fina ali no mesmo sentido, milhares de vezes ao longo dos anos, até a linha ficar marcada. Fumantes costumam ter essas linhas mais cedo e mais profundas por dois motivos somados: o gesto repetido de puxar a boca ao redor do cigarro e o dano direto que as substâncias da fumaça causam ao colágeno da pele.

O que é ruga de acordeon?

São as linhas finas que se abrem em leque ao redor da boca quando você sorri largo, formadas pela contração dos músculos que puxam o canto da boca para cima e para os lados. O nome vem da semelhança com o fole de um acordeon se abrindo. No começo, elas somem assim que o rosto relaxa — são dinâmicas, ligadas só ao movimento; com os anos e a perda de colágeno, uma parte pode passar a ficar visível mesmo com o rosto parado.

Fumar causa mesmo ruga ao redor da boca?

Sim, por dois caminhos diferentes que se somam. O primeiro é mecânico: franzir os lábios ao redor do cigarro repetidas vezes por dia, todos os dias, é o mesmo tipo de movimento repetitivo que forma a ruga em código de barras. O segundo é químico: as substâncias da fumaça degradam colágeno e elastina, e a nicotina reduz o fluxo de sangue na pele, deixando-a com menos oxigênio e nutrientes para se manter firme. É por isso que fumantes de longa data costumam ter rugas periorais visivelmente mais profundas do que não fumantes da mesma idade.

Rugas ao redor da boca têm tratamento?

Têm, mas o que funciona muda conforme o tipo. Ruga de acordeon, ainda dinâmica, responde a toxina botulínica em doses pequenas e cuidadosas nessa região; código de barras se beneficia de parar de fumar, ácido hialurônico e laser; linha de marionete, por ser mais volume do que movimento, costuma responder melhor a preenchimento do que a procedimento muscular. Nenhum dos três desaparece por completo com produto de venda livre — o que existe é suavização real, sustentada com cuidado contínuo.

Este conteúdo é informativo e fala sobre cuidado com a pele, não substitui avaliação médica. Cada caso é único — se a condição mudar de repente, coçar ou incomodar, procure um dermatologista.

Mesma camada: estrutura